RDA Resource Description & Access
versus

AACR2 Código de Catalogação Anglo-Americano, 2ª edição

Um estudo comparativo

Aceitar um conhecimento, ou mesmo uma informação nova, com o agravante, substituição a uma prática de tantos anos, uso e ensino do AACR2 – Anglo-American Cataloguing Rules, como receber o seu substituto, o RDA – Resource Description & Access?

O RDA Toolkit impresso disponível na Amazon foi logo adquirido. O impacto causado pelo primeiro encontro com o esperado RDA não foi pela sua forma e peso do volume de folhas soltas, recurso integrado, como já definido pelo AACR2 e que também foi assim editado, mas sim o contato com o seu conteúdo!

Folhear, aleatoriamente, aquelas folhas soltas e encontrar os exemplos do AACR2, sob titulação e lugares tão diferentes?! Teoricamente, era conhecida a mudança, mas à primeira abertura, ‘título uniforme’, Capítulo 25 do AACR2, como pode estar em pleno Capítulo 6, sob ‘título preferido’ usado para a ‘construção do ponto de acesso autorizado’?! Como, se os exemplos eram os mesmos do AACR2?

Só a notícia da mudança das regras e possível desaparecimento do AACR2 não foram suficientes para preparar aquela primeira leitura.

Era preciso fazer algo àquele, que, em 2ª edição, de 1978, fruto de dois eventos internacionais, Conferência de Paris e Reunião Internacional de Especialistas em Catalogação, traduzido para o português em 1983-84, foi declarado código oficial para o Brasil. Desde então, foi acompanhado por muitas publicações, continuando até hoje como suporte para o seu estabelecimento.

Primeiro passo para um projeto, sem dúvida ousado, com vistas à desmistificação do RDA para estudantes e colegas bibliotecários de língua portuguesa, seria relembrar a história, a trajetória do que vai ficando para traz e, consequentemente, do que está chegando, regras substituídas e as substitutas, que não surgiram de repente. “Aparecimento do AACR2, com vistas ao seu sucessor RDA”, texto da introdução, indispensável para qualquer forma que o trabalho fosse desenvolvido.

Comparar essas regras seria possível. A primeira ideia, em um quadro comparativo, a relação das regras do RDA com as correspondentes regras do AACR2. Mas isso já é matéria de Apêndices do RDA Toolkit. Ou comparar só as regras modificadas através dos exemplos RDA e AACR2, seria repetir o que já existe, pelo menos existe em países onde já está sendo implantado o RDA.

Então o quê e como comparar? Comparar o texto impresso original do RDA Toolkit (2010) com o texto da tradução da FEBAB em português do AACR2 (2004).

Os modelos conceituais FRBR e FRAD estabelecem a divisão dessas regras, elegendo como o mais importante, as entidades nos registros bibliográficos:
-- Registro dos atributos das entidades, Seções 1-4, Capítulos 1-16
-- Registro das relações entre as entidades, Seções 5-10, Capítulos 17-37
-- Apêndices A-M complementando.

Texto da introdução pronto, mesmo resumido, pois o objetivo não é a história, mas ressaltar alguns fatos e documentos que consolidaram mais diretamente essas regras de Catalogação.

Segue a estrutura RDA, desde a sua Introdução, as 10 Seções, 37 Capítulos e 13 Apêndices de A a M (menos os não disponibilizados pelos seus editores).

Cada regra RDA é seguida da correspondente regra AACR2 (quando existe) e comentário, quando requerido, indicados pelas siglas RDA, AACR2 e RDA versus AACR2, respectivamente. A Seção 1, Registro de atributos de manifestação e item, Capítulos de 1-4, abordados na sua totalidade, como demonstrativo das demais Seções, Seções de 1 a 4, que integram o primeiro grupo de regras: registro dos atributos das entidades.

O início de alguns poucos capítulos traz uma informação detalhada de como foram abordadas as regras, agrupadas de forma diferente, para mais fácil compreensão, sem, no entanto, descaracterizar a divisão original do seu conteúdo.

O segundo grupo de regras: registro dos relacionamentos entre as entidades, Seções de 5 a 10, teve tratamento diferente, incluindo os primeiros capítulos de cada uma de suas Seções, com extensão maior das regras comparadas com o AACR2, e quase só relação de algumas e/ou exclusão de outras. Esses primeiros capítulos incluídos, como os demais primeiros capítulos, são como regras gerais para cada Seção e seus respectivos capítulos, a exemplo da Introdução, como regras gerais para todo o RDA.

A esses dois grupos de regras ‘Registro dos atributos’ e ‘Registro dos relacionamentos’ seguem os Apêndices de forma sucinta. Os mais extensos, o Apêndice D Sintaxes do registro para dados descritivos, e o Apêndice E Sintaxes para controle de pontos de acesso. Desses dois, além do destaque das suas partes, segue uma reprodução de parte da tabela usada em cada um, onde o conteúdo é detalhado.

Os Apêndices I, J e K, sem correspondência como apêndices no AACR2, incluem listas de designadores de relação, organizadas de acordo com as entidades FRBR; os Apêndices I e J listam designadores que são úteis para mapear as relações entre recursos e, precisamente, identificar a relação de responsabilidade entre uma pessoa, família ou entidade coletiva e um recurso.

O Apêndice I foi incluído de forma resumida e as extensas listas dos designadores de relação foram relacionadas em cada grupo. Designadores indicados para registro com o ponto de acesso autorizado foram conservados em inglês, passivos de tradução oficial, assim como no Capítulo 3 Descrição de suportes, 'tipo de mídia', 'tipo de suporte', que, associados com o 'tipo de conteúdo' foram desenvolvidos pelo RDA para substituírem a DGM 'designação geral do material' do AACR2.

O Glossário, não incluído pelo RDA como apêndice, a exemplo do Apêndice D Glossário, do AACR2, aparece como capítulo final e assim incluído apenas como pequena mostra da apresentação do seu conteúdo. Alguns exemplos de catalogação em RDA e correspondente AACR2 encerram este estudo comparativo. Nesses exemplos não foram usados os designadores de relação nos seus pontos de acesso autorizados, apesar de novidade importante do RDA, criando extensa lista dos designadores, ao contrário do AACR2, limitado a quatro designações de função, só usadas nas entradas secundárias e como acréscimo opcional.

A dificuldade da língua inglesa do RDA Toolkit original foi acrescida pela falta de uma tradução oficial em português do RDA, como a criticada tradução da FEBAB para o AACR2, mas valiosa contribuição para a sua implementação no País.

Realmente, era preciso uma revisão do texto em inglês traduzido, cujo mérito da tradução vinha praticamente do conhecimento da matéria traduzida e não da língua inglesa propriamente dita.

Feita essa revisão, texto entremeado com os já traduzidos do AACR2, foi agendado com a American Library Association, em Chicago, a apresentação do texto final para concessão dos direitos autorais que, examinado, foi aprovado por James Hennely, Diretor da ALA Digital Reference, e Katie Bane, Gerente de Marketing & Sales, American Library Association.


Antonia Memória

 

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